Interação proteica promotora do câncer de mama triplo negativo pode tornar doença gerenciável

Por Docmedia

3 janeiro 2024

O câncer de mama é a neoplasia mais frequentemente diagnosticada em mulheres, com mais de 2 milhões de casos anualmente. O câncer de mama triplo negativo (TNBC) é relativamente pouco comum, respondendo por aproximadamente 15% das neoplasias mamárias.

Infelizmente, o TBNC possui prognóstico consideravelmente pior que as demais neoplasias mamárias por suas células serem mais indiferenciadas e muito agressivas. A ausência dos receptores hormonais torna o TNBC altamente resistente aos medicamentos.

Nesse contexto, a novidade é um estudo de pesquisadores do Centro de Regulação Genômica e do Instituto de Oncologia Vall d’Hebron que anunciou a identificação de uma interação proteica cujo bloqueio pode futuramente contribuir para tornar o TNBC uma doença mais gerenciável. A publicação do grupo na revista EMBO Molecular Medicine conta que o foco inicial do trabalho foi a proteína lisil  oxidase homóloga 2 (LOXL2), que é uma enzima envolvida no controle do crescimento celular.

Estudos anteriores demonstraram que a LOXL2 possui envolvimento na promoção da progressão do TBNC. Em função disso, os pesquisadores desejam descobrir se a LOXL2 poderia ser utilizada como um biomarcador para prever o resultado do tratamento do TNBC.

Com o esforço, a equipe descobriu que a LOXL2 só poderia prever o resultado do tratamento quando fossem utilizados medicamentos que têm como alvo a proteína BRD4, que é um inibidor endógeno de resposta de danos no DNA. Despertados pelo achado inesperado, os pesquisadores realizaram novos experimentos para avaliar se LOXL2 e BRD4 poderiam estar interagindo para promover a progressão dos tumores TNBC.

Utilizando técnicas experimentais de laboratório em culturas celulares e modelos murinos de câncer, os pesquisadores mostraram que a LOXL2 interage com uma versão do BRD4 dentro do núcleo. Além disso, foi visto que essa interação altera a expressão dos genes, direcionando-os para ajudar o crescimento das células TNBC. Por outro lado, a inibição de ambas as proteínas simultaneamente interrompeu essas interações e ajudou a retardar o crescimento.

Segundo os autores, o fato de já terem sido identificadas moléculas capazes de inibir tanto LOXL2 quanto BRD4, pendente ainda a exploração da eficácia e segurança dos inibidores LOXL2. Os inibidores BET, por sua vez, que inibem BRD4, já foram desenvolvidos, mas não avançaram porque surge resistência.

É uma possibilidade concreta que a inibição simultânea das duas proteínas possa reverter o quadro de resistência aos inibidores BET. Muito trabalho ainda é necessário, mas qualquer avanço é bem-vindo contra uma doença agressiva como o TNBC.

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Fonte: https://www.embopress.org/doi/full/10.15252/emmm.202318459

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