Nanobiópsia de célula única é a nova esperança de avançar no tratamento de tumores difíceis

Por Docmedia

15 março 2024

Quando se pensa no câncer, a maioria dos tratamentos tradicionais efetivamente mata as células cancerígenas. Infelizmente, há células com diferentes comportamentos dentro de um mesmo tumor, o que permite que algumas delas sobrevivam à terapia, promovam a progressão da doença e a morte. Deste modo, é crucial poder estudar separadamente os diferentes tipos de célula.

Com as tecnologias atuais, isto ainda não é possível, com os estudos sendo realizados em populações celulares e obtendo um resultado médio. Entretanto, esse panorama está para ser modificado a partir de um estudo de pesquisadores da Universidade de Leeds.

A publicação do grupo na revista Science Advances conta que o trabalho da equipe resultou no desenvolvimento de uma ferramenta capaz de realizar biópsias em uma única célula sem destruí-la. O dispositivo é uma nanopipeta com duas agulhas guiada por um software de precisão.

Antes só era possível avaliar populações celulares ou células individuais antes ou após o tratamento, justamente porque os métodos destruíam as células individuais, agora será possível fazer a avaliação separadamente como os diferentes tipos celulares de um mesmo tumor reagem no tempo ao tratamento em investigação.

No estudo, os pesquisadores utilizaram células de glioblastoma multifirme (GBM) e referem que a escolha se deu porque nos últimos 20 anos não houve qualquer melhora significativa na sobrevida desses pacientes em função de grande plasticidade funcional verificada nas células GBM. Essa característica torna a resposta celular heterogênea e resulta em altas taxas de recorrência da doença.

Segundo os autores, a ferramenta por eles desenvolvida trará uma nova camada de conhecimento sobre a resposta dos tumores GBM ao tratamento e poderá ser uma ferramenta importante para o desenvolvimento de estratégias terapêuticas que finalmente melhorem os números desta grave doença.

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Fonte: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.adl0515

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