Estratégia centrada em genes de backup pode promover a remissão completa do câncer

Por Docmedia

31 outubro 2022

A grande maioria dos medicamentos utilizados no tratamento do câncer, dos velhos quimioterápicos à inovadora imunoterapia, tem o efeito colateral indesejável de afetar células sadias num processo chamado letalidade colateral.

Estudar profundamente a biologia do câncer e encontrar alvos que sejam pontos fracos exclusivos da doença é a maior esperança da pesquisa de novos tratamentos. Seguindo essa linha, pesquisadores da Universidade de Michigan e da Universidade de Indiana desenvolveram uma promissora estratégia visando genes de backup.

O artigo do grupo em Nature Metabolism lembra que a proliferação desordenada das células cancerígenas não raro é o resultado da exclusão de partes de seu DNA contendo genes com ação supressora tumoral nas células saudáveis. Ocorre que, neste processo de exclusão, outros genes com função vital à sobrevivência da célula podem ser excluídos em conjunto, o que obriga a célula cancerígena a se utilizar de outros genes para realizar a mesma função; genes de backup ou parólogos.

No estudo atual, a equipe trabalhou com modelos murinos de câncer de ovário em que o gene UQCR11 normalmente é excluído em conjunto com o gene supressor tumoral. Um algoritmo de inteligência artificial foi utilizado para tentar prever qual via metabólica seria ativada pela célula cancerígena para realizar a função perdida com a exclusão de UQCR11, um gene vital no processo de respiração celular e produção do substrato energético dinucleotídeo de nicotinamida e adenosina (NAD+).

Sem NAD+, as células cancerígenas do ovário tenderiam a morrer, mas continuam a prosperar. Neste caso, o algoritmo previu com precisão que as células deveriam ativar o gene MTHFD2 como um parólogo para substituir a função de UQCR11. Feito isso, os pesquisadores realizaram um experimento de manipulação genética em que bloquearam a função do MTHFD2 nos animais sem UQCR11.

No estudo, a estratégia se mostrou promissora e resultou na completa remissão dos tumores ovarianos. Segundo os autores, além do expressivo resultado na neoplasia ovariana com deleção UQCR11, sua estratégia pode beneficiar diversas outras neoplasias visar um mecanismo comum a muitas delas.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s42255-022-00636-3

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