Modelo organoide pode selecionar primeira terapia para grave doença renal pediátrica

Por Docmedia

27 outubro 2022

A tecnologia organoide é uma inovação tecnológica que tem contribuído em diversos campos da pesquisa médica ao proporcionar um modelo mais confiável para o estudo da função de órgãos durante a saúde e a doença. Isto é especialmente verdade em alguns casos, como na pesquisa do câncer, mas ainda é insuficiente em patologias nas quais o estímulo microambiental é parte do mecanismo desencadeante.

A novidade é que pesquisadores do Massachusetts General Hospital, do Brigham and Women’s Hospital, do Wyss Institute anunciou recentemente sucesso em modelar uma grave doença renal pediátrica que se enquadra nesse grupo. A publicação na Science Advances revela que o foco do trabalho foi a doença renal policística autossômica recessiva (DRPAR). A DRPAR é um distúrbio genético caracterizado pela formação de cistos nos rins, com perda progressiva da função renal.

A taxa de mortalidade é tão alta quanto 30% na infância. Para os pacientes que sobrevivem, 41% precisarão de um transplante renal aos 11 anos. A situação é ainda mais pior por não haver disponível tratamento aprovado pelo Food and Drug Administration. O artigo também conta que a causa da DRPAR são mutações no gene PKHD1, mas que tentativas anteriores de modelar a doença em camundongos falharam.

Células com PKHD1 mutante foram cultivadas com sucesso em laboratório, mas sua modelagem em organoide 3D estático não funcionou devido à necessidade do fluxo urinário sobre a superfície das células para completar o processo. Agora, os pesquisadores uniram a tecnologia organoide com a tecnologia organ-on-a-chip e criaram um arcabouço de perfusão para acomodar as células renais PKHD1 mutantes de forma a receberem um fluxo contínuo de fluido.

Ao fazerem isso, foi possível identificar duas moléculas mecanossensoras (FOS e RAC1) que são potenciais alvos terapêuticos para DRPAR. A formação dos cistos na DRPAR seria influenciada pelo estímulo mecanossensorial sobre essas moléculas. Por fim, a equipe testou dois medicamentos anti-inflamatórios não hormonais (R-Naproxen e R-Ketorolact) aprovados pela FDA que inibem o RAC-1 e um novo medicamento experimental que inibe o FOS (T-5224).

Segundo os autores, a união das duas tecnologias se provou útil na DRPAR e pode fazer o mesmo em outras patologias com o mesmo tipo de necessidade. Quanto às descobertas, ensaios clínicos em pacientes poderão determinar seu real valor.

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Fonte: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abq0866

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