Estudo genético identifica alvos viáveis na doença renal policística

Por Docmedia

21 outubro 2022

A doença renal policística autossômica dominante (DRPAD) é uma patologia renal relativamente comum e a maior causa genética de insuficiência renal, afetando estimadas 12,5 milhões de pessoas em todo o mundo. A progressão da doença vem com o surgimento e crescimento de cistos que terminam por comprometer o funcionamento do parênquima renal sadio.

A novidade é que um estudo genético de pesquisadores da Universidade do Texas Southwestern identificou um mecanismo de base genética que pode configurar um alvo para novas terapias. O artigo na Nature Communications lembra que há uma correlação conhecida entre a DRPAD e mutações nos genes PKD1 ou PKD2.

Em verdade, cada ser humano dispõe de um par de cada um desses genes, mas os portadores da doença herdam uma cópia funcional e uma mutada. Habitualmente, a policistose começa a se manifestar quando a expressão de PKD1 ou PKD2 caem abaixo de um limiar crítico, levando à menor produção das proteínas policistina-1 e policistina-2.

Estudos mostraram que portadores de DRPAD exibem alta expressão de um microRNA, o miR-17, para o qual existe um sítio de ligação em PKD1. Ocorre que a ligação de microRNAs à região de codificação do RNA mensageiro tem o potencial de interromper o processo de tradução e, consequentemente, a síntese proteica. Deste modo, os pesquisadores indagaram se o bloqueio da ligação de mi-R-17 ao PKD1 poderia normalizar a síntese proteica e impedir a formação e crescimento dos cistos renais na DRPAD.

No estudo, a hipótese foi testada em modelos celulares e murinos de DRPAD, com manipulação genética para a exclusão do sítio de ligação do miR-17 do mRNA de PKD1. O resultado mecanicista de ambos os experimentos com a deleção do sítio de ligação do miR-17 foi a estabilização da fita de RNA mensageiro e o aumento da síntese de policistina-1.

Clinicamente, foi vista redução no crescimento dos cistos renais. Além disso, o mesmo tipo de resultado foi conseguido com uma droga direcionada para impedir a ligação do miR-17 ao RNA mensageiro de PKD1.

Por todos esses resultados, os autores sugerem que essa interação pode ser um alvo promissor para tratamento da DRPAD.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s41467-022-32543-2

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