IA habilita Abordagem inovadora para diagnóstico simples do diabetes tipo 2

Por Docmedia

12 setembro 2023

O diabetes tipo 2 é uma condição frequente caracterizada por defeito na resposta do organismo à secreção do hormônio insulina. A condição é tão comum quanto uma prevalência mundial em torno de 9,3% da população adulta com cerca de metade desses indivíduos sem um diagnóstico oficial.

A novidade é que uma abordagem inovadora de inteligência artificial (IA) desenvolvida por pesquisadores da Universidade Emory promete habilitar um exame acessível à maioria das pessoas para o diagnóstico do diabetes tipo 2. A publicação do grupo em Nature Communications lembra que a triagem para diabetes tipo 2 é recomendada em indivíduos entre 35 e 70 anos, com índice de massa corporal (IMC) indicando sobrepeso a obesidade. No entanto, estudos mostram que essa estratégia não é eficaz em diversos casos, especialmente em minorias raciais/étnicas, nas quais o IMC não é um bom preditor de risco de diabetes.

Considerando que portadores não diagnosticados correm maior risco de lesões em órgão alvo e até morte, os pesquisadores desenvolveram um algoritmo de inteligência artificial que possui o objetivo de diagnosticar indivíduos com a condição, ou prever sua ocorrência, a partir de imagens de radiografias simples de tórax.

Segundo os autores, o modelo foi desenvolvido a partir de 271.065 radiografias de 160.244 pacientes, sendo posteriormente testado em um conjunto de dados prospectivo de 9.943 radiografias. A tentativa mostrou que o modelo detectou efetivamente o diabetes tipo 2 com um ROC AUC de 0,84 e uma prevalência de 16%. Em outras palavras, o algoritmo sinalizou 1.381 casos (14%) como suspeitos de DM2.

Uma validação externa da ferramenta em um grupo separado de quase 10.000 pacientes, evidenciou que ela foi capaz de prever o risco com maior precisão do que um modelo simples baseado apenas em dados clínicos sem uso de imagens, ROC AUC de 0,77, com 5% dos pacientes posteriormente (até 3 anos depois) diagnosticados com diabetes tipo 2.

Os autores ressaltam que o ponto central utilizado pela ferramenta são características da deposição de tecido adiposo na porção superior do corpo, credenciando essa variável como importante para determinar o risco, uma lógica que se alinha com descobertas médicas recentes de que a gordura visceral na parte superior do corpo e no abdômen está associada a diabetes tipo 2, resistência à insulina, hipertensão e outras condições.

O trabalho agora visa maior validação da ferramenta e sua inclusão nos registros de saúde para alertar às equipes de cuidado para esse tipo de risco.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s41467-023-39631-x

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