Nova combinação de drogas pode ser transformativa na sobrevivência ao câncer de pulmão

Por Docmedia

28 setembro 2022

O advento da imunoterapia revolucionou as expectativas de parte dos pacientes com câncer de pulmão. Ainda assim, os números permanecem desoladores com 1,8 milhão de mortes anuais e a sobrevida em 5 anos na casa dos 25%. A novidade é que pesquisadores do Instituto Francis Crick afirmam que uma nova combinação de fármacos pode trazer resultados robustos urgentemente necessários em um grupo específico de pacientes com câncer de pulmão.

O artigo do grupo em Science Advances considera dois grupos de pacientes com câncer de pulmão em termos de status imunogênico; tumores quentes, nos quais há um número alto de células imunes infiltradas e ativas e os tumores frios, nos quais isto não ocorre.

Os autores também consideram que tem crescido o interesse por um esquema terapêutico reunindo a imunoterapia de bloqueio do ponto de verificação imune (ICI) e inibidores do gene KRAS, um membro da família RAS com função no controle da diferenciação, proliferação, migração e apoptose das células. O KRAS está mutado em até um terço dos cânceres de pulmão, fato que justifica sua consideração como um alvo terapêutico viável.

Tanto ICI quanto inibidores KRAS mostraram resultados modestos em portadores de câncer de pulmão. Uma consideração dos pesquisadores é que os testes clínicos incluíram apenas pacientes que não haviam se beneficiado previamente da terapia com ICI, sugerindo tumores imunologicamente frios.

No estudo atual, a equipe utilizou modelos murinos de câncer de pulmão com mutação do gene KRAS e tratou os animais com a combinação de ICI e inibidores KRAS. Além dos efeitos em nível molecular, a evolução clínica dos animais foi correlacionada com o status de imunogenicidade (frio-quente) de cada tumor em particular.

Foi visto que o KRAS mutado ativa sinais que ajudam a inibir o sistema imune. Por outro lado, a inibição do KRAS mutado reverte esses sinais, tais como aumento de células T reguladoras e pobreza de células T citotóxicas. Além disso, foi visto que o esquema terapêutico utilizado mostrou boa eficácia, mas apenas nos animais com tumores quentes.

Em face disto, os autores sugerem que suas descobertas sejam consideradas no recrutamento para novos ensaios clínicos, selecionando os pacientes com mais chances de resposta.

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Fonte: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abm8780

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