Infusões combinadas de anticorpos suprimem o vírus HIV por períodos prolongados

Por Docmedia

15 agosto 2022

Na década de 1980, o diagnóstico de infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV) se equiparava à uma sentença de morte. Com o passar do tempo, o avanço do conhecimento científico transformou a infecção em uma patologia crônica gerenciável com um coquetel de drogas antirretrovirais (TARV).

Ainda assim, o uso crônico dessas medicações não é isento de consideráveis efeitos colaterais, fora o peso para alguns pacientes da necessidade de adaptação a um regime diário e perpétuo de tratamento. Este panorama pode estar mudando mais uma vez a partir da comunicação de um grupo de pesquisa sobre uma abordagem que mostrou suprimir o HIV por longos períodos sem TARV.

O esforço reuniu integrantes do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) e outras instituições dos EUA e Canadá. A publicação em Nature detalha os resultados de dois ensaios conduzidos pelo grupo utilizando dois anticorpos anti-HIV amplamente neutralizantes (bNAbs). Estudos anteriores com bNAbs em monoterapia mostraram resultados limitados na supressão crônica do HIV, em parte, porque os participantes já continham ou desenvolveram cepas virais resistentes aos bNAbs utilizados.

No estudo atual, o primeiro ensaio de Fase 1 recrutou 14 portadores do HIV recém-diagnosticados. Todos receberam TARV na fase inicial da infecção, terapia que foi substituída por placebo ou uma combinação dos bNAbs 3BNC117 e 10-1074 que visam diferentes partes do vírus. A combinação de anticorpos foi administrada em até oito infusões, sendo duas no primeiro mês e uma mensal por mais 24 semanas, ao passo que o placebo foi administrado com a mesma regularidade.

Os níveis de HIV e as contagens de células T CD4 foram medidos a cada duas semanas. Como resultado, nenhum participante que utilizou bNAbs teve que reiniciar a TARV antes de 28 semanas, ao passo que isso foi necessário em seis dos sete integrantes do grupo controle.

A duração mediana do tempo sem antirretrovirais foi de 39,6 semanas (grupo bNAb) e 9,4 semanas (placebo), respectivamente. Um segundo ensaio evidenciou que a presença de vírus resistentes a um ou ambos os bNAbs utilizados foi a causa nas falhas de supressão viral.

Com esses dados, os autores dizem que a terapia combinada com bNAbs pode ser uma alternativa mais cômoda à TARV.

Fonte: https://www.nature.com/articles/s41586-022-04797-9

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