Estratégia simples pode ajudar na redução do risco cardiovascular em pacientes com diabetes tipo 2

Por Docmedia

26 fevereiro 2024

Estudos mostram que, para parte relevante das pessoas, as bases para uma vida saudável estão em condutas simples como manter uma dieta adequada, controlar o peso corporal, realizar exercícios físicos regulares e manter boa saúde bucal. Especificamente quanto à saúde bucal, há evidência que a doença periodontal, além de causar halitose, está associada a maior risco cardiovascular, maior risco de desenvolver doença de Alzheimer e também diabetes tipo 2.

A novidade é que pesquisadores da Universidade de Osaka, no Japão, passaram a advogar que uma conduta simples como o uso de enxaguatório bucal pode ter efeitos benéficos sobre o diabetes tipo 2 e, provavelmente, o maior risco cardiovascular associado. A publicação do grupo na revista Scientific Reports lembra que os três agentes bacterianos relacionados à doença periodontal são Porphyromonas gingivalis, Treponema denticola e Tannerella forsythia.

No estudo atual, os pesquisadores avaliaram se poderiam influir na quantidade dessas bactérias no microbioma oral de pacientes portadores de diabetes tipo 2 utilizando um enxaguatório bucal contendo gluconato de clorexidina. Foram recrutados 173 portadores de diabetes tipo 2 que foram acompanhados durante um período de 12 meses em que forneceram amostras de saliva de forma mensal ou bimestral.

Digno de nota que, durante os primeiros 6 meses, os participantes realizaram o enxágue bucal apenas com água, passando a utilizar o enxaguatório com clorexidina nos 6 últimos meses do estudo. Deste modo, foi possível avaliar de forma comparativa os efeitos da intervenção sobre a exuberância das populações dos três agentes bacterianos no período. Concomitantemente, amostras sanguíneas para avaliação do controle glicêmico por meio da hemoglobina glicada (HbA1C) foram realizadas durante o mesmo período.

Na avaliação dos resultados, foi visto que o enxágue bucal apenas com água não influenciou nem as populações bacterianas e nem os níveis de HbA1C em comparação aos níveis basais. Entretanto, foi verificada uma redução geral nas espécies bacterianas quando os participantes mudaram para enxaguatório bucal com clorexidina, desde que gargarejassem por pelo menos duas vezes ao dia.

Quanto ao controle glicêmico, houve muita variação nas respostas individuais, embora não tenha havido controle sobre outros aspectos do tratamento em curso do diabetes tipo 2. Ao estratificar os participantes por idade, contudo, os pesquisadores descobriram que os pacientes mais jovens obtiveram reduções mais importante nas espécies bacterianas e um controle significativamente melhor do açúcar no sangue com o enxaguatório bucal em comparação com a água.

Segundo os autores, os resultados são encorajadores por mostrarem uma atitude simples com capacidade de melhorar os resultados em relação à doença periodontal e suas consequências sistêmicas. Cabe agora identificar os grupos de indivíduos que se beneficiarão mais da estratégia.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s41598-024-53213-x

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