Terapia genética para retinite pigmentar pronta para ensaios clínicos

Por Docmedia

16 maio 2023

A retinite pigmentar engloba um grupo de doenças genéticas raras que causam perda visual devido a morte das células fotorreceptoras da retina. A perda visual começa em uma idade jovem e progride ao longo da vida. Estima-se que a doença afete aproximadamente 2 milhões de pessoas em todo o mundo, 100.000 das quais estão nos EUA. Atualmente a doença não possui disponível nem uma terapia curativa e nem medidas que retardem sua progressão.

A novidade é que pesquisadores da Universidade Estadual de Michigan anunciaram terem desenvolvido uma terapia genética que se encontra próxima de poder partir para ensaios clínicos em seres humanos. A publicação na revista Molecular Therapy conta que o foco do trabalho foi um gene compartilhado por seres humanos e cães, o canal beta 1 controlado por nucleotídeo cíclico (CNGB1).

Quando mutado, os cães desenvolvem uma forma de atrofia retiniana progressiva enquanto humanos desenvolvem uma forma de retinite pigmentar. Basicamente, as mutações resultam em perda da função do gene CNGB1 e o que a terapia desenvolvida fez foi utilizar um vetor viral adeno-associado (AAV) para devolver às células da retina uma cópia funcional do gene CNGB1.

Segundo a equipe, o novo promotor desenvolvido é uma forma modificada do promotor da rodopsina humana, um gene importante nos bastonetes da retina. O novo promotor garante que o CNGB1 introduzido pelo terapêutico seja ativo apenas na célula-alvo, ou seja, os fotorreceptores da haste. O vetor viral é um sorotipo 5 empacotado com o promotor de rodopsina curto, combinação do gene CNGB1 (AAV5-RHO-CNGB1).

A terapia é injetada sob a retina para que seja introduzida nas células-alvo sensíveis à luz, que requerem CNGB1 normal para funcionar e sobreviver. Nos testes no modelo animal canino, a terapia resgatou a função normal em bastonetes e restaurou a visão mediada, introduzindo uma cópia de trabalho normal do CNGB1. Além disso, interrompeu o acúmulo de quantidades tóxicas de monofosfato de guanosina cíclico em bastonetes que funcionavam normalmente, acúmulo este que leva à disfunção e morte celular.

Esses efeitos permitiram a manutenção dos cones, que tendem a morrer à medida que os bastonetes são perdidos. Finalmente, a degeneração retiniana é interrompida.

Segundo os autores, o nível de desenvolvimento atual da terapia e o sucesso demonstrado em modelo animal que compartilha a mesma base genética traz grande esperança de que importantes resultados em seres humanos sejam conseguidos em futuros ensaios clínicos.

Quer saber mais?

Fonte: https://www.cell.com/molecular-therapy-family/molecular-therapy/fulltext/S1525-0016(23)00203-4?_returnURL=https%3A%2F%2Flinkinghub.elsevier.com%2Fretrieve%2Fpii%2FS1525001623002034%3Fshowall%3Dtrue

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