Terapia de câncer visando o bicarbonato se mostra promissora em estudo

Por Docmedia

22 setembro 2022

Uma das estratégias mais utilizadas na pesquisa de novas formas de tratar o câncer reside na identificação de estruturas ou vias utilizadas pelas células cancerígenas, mas não pelas células saudáveis. Deste modo, seria possível eliminar a doença sem afetar criticamente o funcionamento do organismo. É exatamente neste sentido o novo estudo de pesquisadores da Northwestern Medicine visando íons bicarbonato.

A publicação em Molecular Cell lembra que o bicarbonato é abundante no sangue e serve à manutenção do pH em células normais. Além disso, o elemento entra na construção de purinas e pirimidinas, blocos essenciais de construção de nucleotídeos.

Em estudos publicados anteriormente, a equipe descobriu que muitos cânceres regulam positivamente a biossíntese de nucleotídeos através da via mTORC1, ajudando à proliferação. No entanto, se o bicarbonato é controlado e utilizado nesta via era desconhecido. No estudo atual, células normais e cancerígenas de mama e pulmão foram investigadas para diferenças na utilização do bicarbonato.

Foi descoberto que a maioria dos transportadores de bicarbonato pouco tem a ver com alterações relacionadas ao mTORC1 no metabolismo de nucleotídeos que são desencadeadas em células cancerígenas, ficando restritos às células sadias. Por outro lado, foi identificado nas células cancerígenas o enriquecimento do transportador de bicarbonato SLC4A7 relacionado à via mTORC1.

Vendo uma oportunidade, os pesquisadores experimentaram diversas estratégias na tentativa de interromper a atividade de SLC4A7, sendo que, quando obtiveram sucesso, o bloqueio dessa via resultou em crescimento lento dos tumores.

Segundo os autores, isso ocorre porque SLC4A7 se mostrou um transportador crítico e eficiente do bicarbonato, colaborando para a progressão do tumor em meio ao microambiente tumoral pobre em nutrientes, no qual limitado acesso ao bicarbonato significaria limitar o crescimento.

Com esses dados, a equipe entende o bloqueio SLC4A7 como a opção mais promissora para frear o estímulo carcinogênico patrocinado pela via mTORC1 sem afetar o pH ou o funcionamento das células sadias. Entretanto, muito trabalho é necessário antes de um tratamento que possa ser possa ser clinicamente aproveitado em humanos.

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Fonte: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S1097276522005445?via%3Dihub

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