Novo estudo identifica função regenerativa na pele para hormônios metabólicos

Por Docmedia

26 setembro 2022

A grelina é um hormônio peptídeo produzido pelas células épsilon do estômago que sinaliza a sensação de fome. Já a leptina é produzida no tecido adiposo e sinaliza saciedade após uma refeição. Até então, esses dois hormônios eram estudados por sua função metabólica no controle da energia corporal.

Agora, pesquisadores da Universidade de Calgary descreveram uma nova função para esses hormônios que envolve células imunes e está relacionada à regeneração cutânea. A publicação do grupo na Nature conta que o grupo estudava a resposta imune à infecção cutânea pela bactéria Staphylococcus aureus em um modelo murino.

O consenso era a de que o organismo recrutava células imunes conhecidas como neutrófilos e monócitos para o local da infecção com o único objetivo de eliminar as bactérias. Agora, utilizando um método de observação in vivo do tecido chamado microscopia intravital, os pesquisadores descobriram uma função diferenciada para os monócitos.

No estudo, essas células se mostraram capazes de produzir o hormônio grelina e também de regular os níveis de leptina na ferida infectada por S. aureus. Como resultado, quando os monócitos estão presentes, há aumento de grelina e redução de leptina, o que resulta em inibição da angiogênese promovida pela leptina e agilização do processo de cicatrização da ferida. Por outro lado, quando os monócitos foram retirados da ferida, não houve incremento da grelina e os níveis de leptina aumentaram. A consequência então foi o aumento da angiogênese no tecido infectado e atraso na cicatrização.

A descoberta mostrou que neutrófilos e monócitos atuam sinergicamente para resolver a infecção cutânea, com os primeiros eliminando as bactérias e os últimos acelerando a regeneração tecidual.

Segundo os autores, mais trabalho é necessário para transpor seus achados da bancada para a clínica, enquanto eles esperam investigar o fenômeno mais profundamente, explorando esse novo eixo endocrinoimune em condições como a lesão asséptica e o câncer.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s41586-022-05044-x

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