Nova metodologia pode permitir o diagnóstico precoce de Parkinson por meio da ressonância

Por Docmedia

20 setembro 2022

A doença de Parkinson (DP) é a segunda causa mais comum de demência no mundo, ficando atrás apenas da doença de Alzheimer. A perda progressiva dos neurônios dopaminérgicos que caracteriza a doença resulta em progressivos déficits motores e cognitivos que comprometem enormemente a independência e a qualidade de vida dos portadores.

Também não há hoje um método que permita o diagnóstico precoce, o que ocorre apenas com a patologia estabelecida e dificulta até mesmo a pesquisa de abordagens preventivas. Esse infeliz panorama pode estar para mudar a partir de estudo recente de pesquisadores da Universidade Hebraica de Jerusalém que anunciaram o desenvolvimento de uma nova abordagem de ressonância magnética.

O artigo do grupo na Science Advances lembra que a ressonância magnética nuclear é o estudo padrão para avaliação cerebral, mas até o momento não conseguiu alcançar a sensibilidade necessária para diagnosticar a DP, sendo seu papel reduzido a descartar os diagnósticos diferenciais. Frente a isso, a equipe de Jerusalém adaptou a técnica e desenvolveu uma abordagem que foi chamada de ressonância magnética quantitativa (qMRI).

Na prática, a abordagem qMRI atinge sua sensibilidade fazendo várias imagens de ressonância usando diferentes energias de excitação, o que equivale a utilizar diferentes filtros de luz e cor. Além disso, outro grande progresso da técnica foi se mostrar capaz de identificar alterações estruturais no corpo estriado.

É sabido que o corpo estriado se deteriora durante a progressão da DP, contudo, é a primeira vez que exame radiológico alcança sensibilidade para avaliar alterações nesta região cerebral em nível equivalente ao do exame tecidual post mortem. Além disso, os pesquisadores foram capazes de correlacionar as alterações encontradas no corpo estriado com estágios precoces de evolução da doença e com o surgimento e progressão do déficit motor visto nos portadores.

Uma vez que o exame post mortem normalmente ocorre após todo o desenvolvimento da doença, os autores esperam que agora seja possível identificar um mapa de alterações da progressão da doença desde os estágios mais precoces, permitindo o diagnóstico já nesta fase.

Em verdade, os pesquisadores esperam concluir o refinamento da técnica de forma a permitir seu uso clínico rotineiro em um período estimado entre 3 e 5 anos.

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Fonte: https://www.science.org/doi/10.1126/sciadv.abm1971

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