Nova estratégia com células T-CAR pode credenciá-la para tumores sólidos

Por Docmedia

9 maio 2023

A modalidade de imunoterapia contra o câncer utilizando células T do receptor do antígeno quimérico (T-CAR) foi um enorme avanço na pesquisa da doença. Entretanto, a imunoterapia T-CAR mostrou ser ineficaz contra tumores sólidos, sendo atualmente reservada para neoplasias hematológicas como leucemias e mieloma múltiplo. A ineficácia contra tumores sólidos é creditada à baixa expansão das células infundidas, baixa persistência e exaustão no combate ao tumor.

Agora, pesquisadores do Programa de Imunologia do Câncer da Austrália anunciaram o desenvolvimento de uma nova abordagem que afirma ter gerado células T-CAR com maior potencial para o tratamento de tumores sólidos. A publicação na revista Science Translational Medicine conta que os pacientes que recebem receptor de antígeno quimérico (CAR) em células T que são enriquecidas em células T de memória exibem melhor controle da doença como resultado do aumento da expansão e persistência das células T-CAR.

As células T de memória humana incluem progenitores de células T de memória CD8 semelhantes a células-tronco que podem se tornar T funcionais semelhantes a células-tronco ou progenitores de células T disfuncionais exaustas. Um experimento de infusão de células T evidenciou que a população de células terapêuticas resultante era rica em células exaustas e pobre em células T semelhantes a células-tronco.

Para contornar esse problema, os pesquisadores desenvolveram um protocolo de produção para gerar células T semelhantes a células-tronco enriquecidas para a expressão de genes em vias de replicação celular. Em comparação com as células T-CAR convencionais, essas células exibiram aumento da capacidade proliferativa e aumento da secreção de citocinas após a estimulação CAR, incluindo estimulação crônica CAR in vitro.

Com o novo protocolo de geração de células T-CAR semelhantes a células-tronco de 6 dias, em oposição aos 14 dias do processo padrão, também foi obtido um método mais econômico e escalável. A aplicação da nova abordagem T-CAR em modelos no prato de cultura e modelos pré-clínicos resultou em ação antitumoral mais eficiente.

Esses desfechos mais favoráveis foram associados ao aumento da persistência de T-CAR semelhantes a células-tronco como células CAR-T e um pool de células T de memória aumentada.  Em verdade, a associação da terapia T-CAR com células semelhantes a células-tronco eliminou completamente os tumores sólidos a que foi exposta quando estava combinada com inibidores do ponto de verificação imune anti-PD-1, com esse resultado creditado ao aumento das células T CD8CAR infiltrantes de tumores que produzem y interferon.

Segundo os autores, os resultados de eficácia e segurança os estimulam a desenvolver essa nova terapia para aplicação em tumores sólidos pediátricos como osteossarcoma e neuroblastoma.

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Fonte: https://www.science.org/doi/10.1126/scitranslmed.abk1900

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