Nova droga promete reduzir a realização de histerectomias por miomatose uterina

Por Docmedia

4 novembro 2022

O surgimento de leiomiomas uterinos é uma patologia tão comum que afetará cerca de 75% das mulheres aos 50 anos de idade. A carência de uma terapia realmente eficiente leva boa parte das pacientes a se submeterem a tratamentos clínicos com efeitos colaterais importantes (leuprolide) ou tratamentos invasivos como a embolização e a histerectomia.

A novidade é que uma pesquisa comandada pela Universidade Católica de Louvain e pela Universidade de Yale anunciaram um fármaco como a primeira opção de tratamento clínico realmente eficiente para essas mulheres. O trabalho do grupo, publicado em The Lancet, incluiu a realização de dois grandes ensaios clínicos prospectivos, randomizados, duplo-cegos e controlados por placebo, PRIMROSE 1 E PRIMROSE 2.

Ambos os ensaios recrutaram mulheres portadoras de miomatose uterina sintomática com metrorragia substancial. As participantes foram designadas aleatoriamente para receberem placebo ou a droga linzagolix, um antagonista do hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH). Dados anteriores sugeriram que, diferentemente dos agonistas do GnRH, também utilizados na terapia dos miomas e que reduzem a produção de estrogênio por hiperestímulo, o linzagolix bloqueia diretamente a produção hormonal por um mecanismo ajustável.

Sendo assim, é possível produzir maior ou menor bloqueio estrogênico de forma personalizada e abordar eventuais sintomas climatéricos com terapia de reposição hormonal (TRH) exógena simultânea. Nos ensaios, as participantes dos grupos tratados receberam diferentes doses de linzagolix (100mg e 200mg), acompanhadas ou não por TRH.

O tratamento foi considerado eficaz quando o sangramento uterino foi reduzido em 50% ou normalizado. A taxa de resposta no PRIMROSE 1 foi 75,5% e no PRIMROSE 2 de 93,9% com as doses mais altas, mas com a baixa dosagem alcançando 60% de resposta se aliada à TRH e acima de 50% sozinha.

Segundo os autores, a terapêutica da miomatose uterina nunca teve à disposição arma tão efetiva para uma condição comum que pode causar sério abalo à saúde. Indo além, os autores fazem previsão de redução significativa das histerectomias cirúrgicas num futuro próximo em que a droga esteja amplamente disponível para uso.

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Fonte: https://www.thelancet.com/journals/lancet/article/PIIS0140-6736(22)01475-1/fulltext#%20

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