Nova droga baseada em proteína natural pode ser alternativa à insulina no diabetes

Por Docmedia

23 setembro 2022

A deficiência de insulina é uma condição em que a produção do hormônio se torna insuficiente e afeta negativamente o metabolismo da glicose com graves consequências para a saúde. A insulina insuficiente é vista no diabetes tipo 1 e em casos graves de diabetes tipo 2, requerendo a injeção de insulina sintética complementar algumas vezes ao dia.

Embora eficaz, a insulinoterapia não é isenta de efeitos colaterais causados por doses imprecisas e pode ocasionar complicações metabólicas e cardiovasculares no longo prazo. Agora, o trabalho de quase uma década de pesquisadores da Universidade de Genebra pode resultar em uma alternativa futura à insulinoterapia.

A publicação em Nature Communications conta que o foco do trabalho foi a proteína S100A9, uma proteina natural do organismo. Avaliações em pacientes que deram entrada no setor de emergência com quadro de cetoacidose diabética (CAD) mostraram um aumento marginal de S100A9, insuficiente para inibir a cetogênese que domina e dá gravidade à condição.

Deste modo, reforçar esse mecanismo compensatório com S100A9 surgiu como uma interessante janela de oportunidade para controle do diabetes dependente de insulina. O passo seguinte foi a utilização de modelos murinos de diabetes insulinodependente para compreender os mecanismos envolvidos na ação de S100A9.

Entre os animais, havia alguns que expressavam o receptor Toll-Like 4 (TRL4) nos hepatócitos e outros sem essa proteína no fígado. Foi demonstrado que a proteína S100S9 atua no controle da glicemia, lipidemia e cetogênese, tudo isso sem causar hipoglicemia.

Molecularmente, a proteína ativa o receptor Toll-Like 4 (TLR4) na membrana de células não parenquimatosas do fígado suprimindo a cetogênese. Além disso, S100A9 atua extracelularmente para ativar o complexo 1 de rapamicina (mTORC1) de maneira dependente de TLR4. Assim, a perda restrita ao fígado, mas não aos hepatócitos, do Complexo de Esclerose Tuberosa 1 (TSC1, um inibidor de mTORC1) corrige a cetoacidose induzida por deficiência de insulina.

Outro ponto importante é que a ativação de TLR4 ativa a inflamação, mas isso não ocorre quando esta ativação é mediada por S100A9, o que é um efeito anti-inflamatório inesperado.

Com tais resultados, os autores sugerem S100A9 como uma alternativa terapêutica que evita os efeitos de longo prazo da insulinoterapia.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s41467-022-31803-5

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