Mutação em gene específico pode promover TDAH, autismo e distúrbios de linguagem

Por Docmedia

28 outubro 2022

A organização de bancos de dados científicos é um fator de potencialização para os resultados das pesquisas e muito progresso é feito por meio desses recursos. Um banco de dados como o GeneMatcher permite que os pesquisadores troquem informações sobre os efeitos de mutações em genes específicos e as doenças associadas a este processo.

E foi exatamente deste modo que pesquisadores ligados à Universidade de Turim e à Universidade de Colônia identificaram um gene em que mutações promovem o surgimento de sintomas de transtorno do déficit de atenção e hiperatividade (TDAH), transtorno do espectro autista (TEA) e distúrbios de linguagem.

A publicação em Brain conta que a busca no banco de dados identificou 12 pacientes com mutações no gene CAPRIN1 (proteína de membrana ancorada por GPI1), relacionado à ativação e proliferação plasmática durante o ciclo celular. Em todos esses pacientes, a mutação resultava em produção de aproximadamente metade da quantidade de proteína em comparação a pessoas sem tal mutação.

Clinicamente, todos os portadores de mutação CAPRIN1 exibiam distúrbios de fala, 82% tinham sintomas que levaram ao diagnóstico de TDAH e 67% podiam ser enquadrados nos critérios para TEA. A influência da função defeituosa de CAPRIN1 sobre esses fenótipos foi confirmada em experimentos posteriores com células-tronco pluripotentes induzidas por humanos (iPSCs) em que o gene CAPRIN1 foi desligado usando a tecnologia CRISPR/Cas9.

As células neurais com mutação CAPRIN1, ao contrário de seus pares saudáveis, que possuem longos processos de conexão em redes complexas, mostram projeções curtas e circuitos defeituosos. A resultante do processo é um nível mais baixo de conectividade e ativação cerebral. Por fim, os neurônios mutados também apresentam erros de tradução que resultam em acúmulo de agregados proteicos anormais e degeneração celular.

Além dessas descobertas, outro estudo publicado em Celular and Molecular Sciences descreve outra mutação específica em CAPRIN1 (troca de prolina para leucina na posição 512) resultando em distúrbio miastênico em três crianças de famílias diferentes. O gene mutante CAPRIN1P512L promoveu miastenia por meio de agregados proteicos em células neuronais.

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Fontes:

https://academic.oup.com/brain/advance-article-abstract/doi/10.1093/brain/awac278/6650380?redirectedFrom=fulltext&login=false

https://link.springer.com/article/10.1007/s00018-022-04544-3

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