Metais urinários se mostram biomarcadores eficazes de lesão renal aguda

Por Docmedia

17 agosto 2022

A lesão renal aguda (LRA) é um problema sério e comum em pacientes hospitalizados. Estima-se que até 10-20% de todos os pacientes internados em hospitais e até 50% daqueles internados em unidades de terapia intensivas desenvolvam LRA, caracterizada como a rápida deterioração da função renal em horas ou dias.

Parte considerável das causas de LRA é evitável ou gerenciável, mas, infelizmente, não existem métodos disponíveis para o diagnóstico precoce da condição. Normalmente, a deterioração da função renal se manifesta por aumentos da creatinina sérica ou redução do volume urinário produzido, a oligúria, quando a lesão renal já está mais estabelecida.

Deste modo, a falta do diagnóstico precoce promove grandes prejuízos ao indivíduo e enormes custos para os sistemas de saúde. Tentando mudar esse panorama, um longo estudo em desenvolvimento da Universidade de Nottingham, Escola de Medicina e Ciência Veterinária e Nottingham University Hospitals NHS Trust, afirma que a dosagem de metais urinários pode ser a opção que se procurava.

A publicação em Kidney International Reports conta que o desenvolvimento anterior de um modelo de LRA em porco que replica a condição humana foi o ponto de partida do estudo. Utilizando o modelo, o grupo descobriu que certos metais urinários aumentam sensivelmente nos primeiros momentos da LRA e, por isso, se credenciariam como potenciais biomarcadores da doença.

Recentemente, já trabalhando com dois grupos de pacientes recrutados entre os internados no Tren Cardiac Center sob risco de desenvolver LRA. Foi descoberto que as concentrações de metais como zinco, cobre e cádmio aumentaram na urina de pacientes com LRA dentro de 1 hora após cirurgia cardíaca e naqueles internados na UTI.

A medição dos metais urinários teve boa sensibilidade para identificação precoce do risco de LRA moderada a grave (área sob a curva entre 0,67-0,76) e valor preditivo negativo particularmente alto (acima de 80%), sugerindo eficácia adicional na triagem de risco dos pacientes. Além disso, a dosagem dos metais é barata e não é influenciada por comorbidades, proteinúria, sexo ou idade.

Fonte: https://www.kireports.org/article/S2468-0249(22)01362-6/fulltext

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