Identificado mecanismo inédito necessário ao combate de infecções por Candida

Por Docmedia

9 setembro 2022

A Candida sp é o mais conhecido entre as diversas espécies de fungos que habitam o corpo humano como parte do microbioma. Habitualmente, este fungo convive de forma assintomática no microbioma intestinal e na pele humana. Entretanto, em indivíduos mais sensíveis pode provocar infecções leves como o sapinho em crianças e a candidíase vaginal.

Contudo, em determinadas situações em que há disfunção no sistema imune, este pode perder a capacidade de controlar a Candida e o resultado podem ser infecções graves, de status sistêmico e que ameaçam a vida. Tal situação é possível na infecção pelo HIV, uso de corticoterapia crônica e durante a quimioterapia do câncer.

A novidade é que pesquisadores do Instituto de Ciências Weizmann anunciaram a identificação inédita de um importante mecanismo corporal de controle da Candida que pode originar novas estratégias de terapia.

O artigo do grupo na Nature Immunology conta que, até o momento, as células do sistema imune que foram identificadas como tendo funções que englobam o controle da Candida são os linfócitos T do tipo Th17. Por isso mesmo, essas células são tidas como as responsáveis quando há a efetiva contenção de infecções por Candida, como também é considerada culpada quando o sistema de proteção falha.

No estudo atual, foram utilizados modelos celulares da infecção por Candida que permitiram a melhor identificação de todos os atores envolvidos. Curiosamente, em sistemas imunes com proteção ativa contra a infecção por Candida, os pesquisadores verificaram, além da presença dos linfócitos Th17, pertencentes à imunidade adaptativa, um raro grupo de células linfoides da imunidade inata e que se mostrou crítica para o processo.

Essas células linfoides inatas tipo 3 (ILC3) são caracterizadas pela expressão do gene regulador autoimune Aire. No estudo, a equipe descobriu que ILC3-Aire são a primeira linha de defesa contra Candida, fagocitando a levedura e apresentando seus antígenos para os linfócitos Th17, iniciando a resposta adaptativa.

Experimentos com camundongos mostraram que os ILC3-Aire envolvidos na defesa contra Candida são aqueles dos gânglios linfáticos, sem os quais não se ativa as Th17. Segundo os autores, o mecanismo descoberto pode originar novas estratégias terapêuticas.

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Fonte: https://www.nature.com/articles/s41590-022-01247-6

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