Estudo identifica abordagem contra gripe que independe do sistema imune

Por Docmedia

22 agosto 2022

Embora na maioria das vezes a infecção pelo vírus Influenza não ameace a vida de adultos hígidos, a gripe causa centenas de milhares de mortes por ano no mundo. Geralmente, os públicos mais afetados pela doença são as crianças, os idosos e os imunocomprometidos, o que denota importante dependência do sistema imune para combater a doença.

Do mesmo modo, as vacinas, reconhecidamente eficazes contra as cepas nelas contidas, também treinam o sistema imune a reagir contra proteínas do vírus Influenza. A novidade é que pesquisadores da Universidade da Califórnia em Riverside desenvolveram uma nova abordagem que elimina o vírus da gripe sem depender do sistema imune. 

O artigo do grupo na revista Viruses explica a técnica que pode levar a novos tratamentos contra a gripe e outros vírus respiratórios como o SARS-CoV-2. Os autores lembram que o vírus precisa infectar as células humanas para se replicar e conseguir atingir mais células. Ocorre que a equipe descobriu que tanto o vírus Influenza A quanto o Influenza B utilizam uma mesma proteína para promover sua replicação dentro da célula.

Quando pequenas proteínas modificadoras do tipo ubiquitina (SUMO) se ligam ou se separam de outras proteínas para alterar suas atividades e funções bioquímicas, dizemos que ocorreu uma reação de SUMOilação. Os vírus Influenza utilizam a SUMOilação para modificar o gene M1, relacionado a diversas funções vitais no ciclo de vida do vírus.

No estudo, os autores identificaram um inibidor de SUMOilação chamado STE025 cuja atuação resulta em completa inibição da replicação do vírus Influenza B, cepa utilizada no trabalho. Experimentos celulares confirmaram que o Influenza B em presença de STE025 demonstrou falta de SUMOilação na proteína M1, confirmando o mecanismo de ação.

Quanto ao Influenza A, apesar de não testado no estudo, já se sabe serem possuidores de proteínas SUMOiladas, o que torna provável sua suscetibilidade ao inibidor STe025. Embora sejam necessários mais estudos para melhor compreender a dependência viral da SUMOilação, os autores estão confiantes de estar mais próximos de um tratamento definitivo para a gripe.

Fonte: https://www.mdpi.com/1999-4915/14/2/314

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