É viável um teste olfativo para diagnosticar a doença de Alzheimer?

Por Docmedia

7 outubro 2022

Embora o olfato humano seja subutilizado em comparação a outras espécies animais, o sentido ainda nos fornece informações críticas para evitar perigos, como o cheiro de gás ou fumaça, ou mesmo para identificar odores agradáveis associados a bons alimentos. Olfato e memória são funções intimamente relacionadas, permitindo o reconhecimento e correlação entre odores e suas origens.

A novidade é que pesquisadores da Universidade de Chicago pretendem utilizar esse link entre olfato e memória como arma para facilitar o diagnóstico da demência em geral e da doença de Alzheimer em particular. A publicação em Alzheimer’s & Dementia lembra que, à semelhança da maioria das funções corporais, olfato e memória sofrem com o declínio geral promovido pelo envelhecimento.

Há estudos dizendo que a perda de olfato em idosos é um preditor de morte por qualquer causa em 5 anos melhor que outros parâmetros largamente utilizados. Explorando a relação entre olfato e memória, a equipe formulou a hipótese de que um declínio anormalmente rápido na função olfatória poderia se correlacionar com efeito semelhante na função cognitiva.

Tal investigação foi levada a cabo com o acesso a dados longitudinais de 515 idosos do Projeto Memória e Envelhecimento da Universidade Rush (MAP), um grupo de estudo iniciado em 1997 para pesquisar condições crônicas de envelhecimento e doenças neurodegenerativas. Os participantes são testados anualmente para diversos parâmetros de saúde, incluindo o status cognitivo, sinais de demência e a capacidade de sentir cheiros. Além disso, parte deles possui imagens neurológicas de ressonância magnética.

Com essa estratégia, a equipe descobriu que, em comparação aos demais, participantes com um rápido declínio no olfato, ainda que com cognição normal, tenderam a apresentar várias características da doença de Alzheimer, incluindo menor volume de massa cinzenta nas áreas do cérebro relacionadas ao olfato e memória (amídala e córtex entorrinal), pior cognição e maior risco de demência.

Com esses resultados, os pesquisadores entendem o status olfativo como importante marcador do status cognitivo e pretendem aproveitá-lo em testes de triagem acessíveis para o diagnóstico precoce da doença de Alzheimer.

Quer saber mais?

Fontes: https://alz-journals.onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/alz.12717

https://www.nature.com/articles/s41467-022-31009-9

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