A cirurgia videolaparoscópica evoluiu com a promessa de promover vantagens em comparação ao mesmo procedimento quando realizado por cirurgia aberta. Os motivos alegados são o menor trauma cirúrgico, a recuperação pós-operatória mais rápida e até mesmo a possibilidade de um resultado estético mais satisfatório.
Por outro lado, uma justa discussão surgiu a respeito da eficácia de um procedimento com essas características em doenças que exigem intervenção precisa e abrangente para alcançar melhores resultados, como é o caso do câncer. Foi esse dilema que pesquisadores da sul coreana Universidade de Ajou decidiram responder em relação ao câncer gástrico.
O artigo do grupo na JAMA Surgery conta que foi conduzido um ensaio clínico randomizado prospectivo com 974 portadores de câncer gástrico localmente avançado (CGLA). Durante o Estudo de Cirurgia Gastrointestinal Laparoendoscópica Coreana (KLASS)-02, os participantes foram submetidos à gastrectomia distal por técnica aberta (n=482) ou laparoscópica (n=492) e então acompanhados por 5 anos.
Os principais desfechos pesquisados foram a sobrevida global em 5 anos (SG), a sobrevida livre de recidiva e as complicações apresentadas no longo prazo. Nesta coorte, a sobrevida global em 5 anos foi de 88,9% para os tratados por videolaparoscopia e 88,7% para o grupo da cirurgia aberta. Já a sobrevida livre de recorrência foi 79,5% para o grupo da laparoscopia e de 81,1% para a cirurgia aberta.
Em nenhum dos casos a diferença entre os grupos alcançou significância estatística, o que equivale os dois tipos de procedimento de termos de eficácia. Os tipos de recidiva mais comumente documentados foram a carcinomatose peritoneal (42,1%), metástase hematogênica (20,8%) e recorrência locorregional. Entretanto, neste quesito também não houve diferenças estatisticamente significativas entre os grupos. Por outro lado, a gastrectomia videolaparoscópica mostrou consideravelmente menos complicações de longo prazo que a cirurgia aberta (6,5% vs 11,0%).
A obstrução intestinal foi a complicação mais documentada em ambos os grupos, mas ainda assim com incidência 50% menor quando o procedimento foi laparoscópico (2,6% vs 5,0%).
Com tais resultados, os pesquisadores concluíram que a laparoscopia se mostrou não inferior à cirurgia aberta e uma opção viável para o tratamento de CGLA.
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Fonte: https://jamanetwork.com/journals/jamasurgery/fullarticle/2794452